Paulistas e Os Cariocas (15 a 22/08/1966)

Era o inverno de 1966. São Paulo passava um dos maiores frios da sua história. Os teatros fechavam por falta de público, os restaurantes vazios e nós cumprindo a palavra com a gerência do Teatro Maria Della Costa, tínhamos que realizar o espetáculo de qualquer maneira. E assim foi. O dia que contou com maior público foi de 32 pessoas, duro não? Mas, como o espetáculo não pode parar, fomos até o fim. Os Cariocas, Ivete e Gilberto Gil, conheceram o primeiro insucesso de suas carreiras. Culpa do tempo. O show não merecia isso. Foi minha primeira incursão como autor de texto, produtor e diretor, contando a história da seleção brasileira de futebol na copa de 66, muito engraçado. Com o atores-cantores vivendo vários papéis, onde, Gilberto Gil interpretava de Pelé a Armando Marques, Quartera, dos Os Cariocas, vivia o goleiro Manga, Badéco vivia São Pedro, Ivete, uma granfina, além de interpretações variadas de Luis Roberto e Severino Filho. Ainda bem que um empresário que vira o show resolveu compra-lo e revende-lo para o Esporte Clube Sírio e uma churrascaria, que já não existe mais. Jamais ganhamos tanto dinheiro. O cartaz do show foi criado especialmente pelo grande artista gráfico, Círo Delnero.

Gilberto Gil, como Pelé, e Badéco, como São Pedro, travam o seguinte diálogo:

Badéco - Seu nome?
Gil - Édson, sim senhor.
Badéco - Édson?
Gil - Sim, Édson Arantes do Nascimento.
Badéco - Então você é o Pelé?
Gil - Sim, eu queria dar uma descansadinha aqui no céu.
Badéco - Que descansadinha qual nada. Entra depressa que o inferno está ganhando de 3 a 0.

A bola vira menina com sono, Ivete canta Acalanto e rola delicadamente para que ela durma na rede. Os Cariocas velam por ela.