Elis Regina e Jair Rodrigues

Gravado ao vivo, no Teatro Paramount, em São Paulo, o 2 na Bossa era apenas um trabalho para ser visto e ouvido no palco, com a maior intérprete da música brasileira, de todos os tempos, coadjuvada pelo sambista Jair Rodrigues e pelo Jongo Trio (Sabá, contra-baixo, Toninho Pinheiro, bateria, Cido, piano). Aí veio uma gravadora, através, do velho amigo, Mario Duarte, perguntando se podíamos vender a fita daquele show. Perguntamos:
- Mas se vende isso?
- Sim. Respondeu Mario Duarte.
- Mas quanto devo pedir por essa fita?
Mario Duarte responde:
- Não sei, fale com o João Araújo, diretor da Philips, e acerte o preço com ele.
Foi o que fizemos. 1500 cruzeiros pela produção sem royalties. Desconfiamos da oferta e pedimos 2% de royalties. Ele não aceitou e todos ficamos mais pobres. Foi o disco que primeiro atingiu a marca, astronômica, para a época, de um milhão de cópias. O Jongo Trio, proibido, pela sua gravadora, de participar do disco, nem royalties ganhou. Elis e Jair, por serem da mesma gravadora, Philips, também não ganharam nada, a não ser, os direitos de praxe. Assim se fazia naquela época, tudo para a gravadora, nada para o criador e produtor do disco. Desabafei. Agora, ninguém vai poder assinar aquele Pot-pourri. Até hoje, é só alguém começar a cantar O Morro não tem vez que vem alguém e emenda com Feio não é Bonito, Samba do Carioca, Este mundo é Meu, A Felicidade, Samba do Negro, Vou Andar por aí, O Sol Nascerá, Diz que fui por aí, A Voz do Morro, Ascender as Velas e o Morro não tem vez. Não parece que você está ouvindo? Era 1965, e eu dizia na contra-capa:
- Muito Obrigado, vocês não existem, a história de nossa música vai falar de vocês.
E falou.