Célia

Em 1970, assumimos a direção artística da gravadora Continental. Primeira coisa: ver a lista dos contratados, para saber quem ficava ou iria embora. Encontramos, entre os insatisfeitos, o nome de uma contratada que já fazia dois anos, mas ainda não havia gravado. O seu contrato estava para se expirar, quando a chamamos para uma conversa. Era Célia que, apostou em nós e, resolveu fazer um outro contrato e começar dali pra frente. Convencemos, depois de ouvi-la muito, acompanhada de sua inseparável amiga, a violonista, Elody, não só a direção da gravadora, como a nós mesmo, de que tratava-se realmente, de uma grande cantora. Convidamos o maestro Pocho (Ruben Perez), para fazer os arranjos e, juntos, nós três, escolhemos o repertório. A primeira música escolhida foi Adeus Batucada, de Sinval Silva, veterano compositor de carnaval, que ficou emocionado ao ouvir a nova roupagem de sua música, era assim: um surdo batendo e quatro flautas em harmonia quase que num ritual fúnebre, emoldurado pela voz de Célia que, pôs todo o seu sentimento naquela interpretação. Por essa faixa, do disco, o primeiro LP de Célia, ganhou todos os prêmios de crítica e vendagem.